Uriel (אוּרִיאֵל “Chama de Deus”, Hebreu padrão Uriʾel, Hebreu tiberiano ʾÛrîʾēl) é um dos arcanjos da tradição rabínica pós-exílio, bem como de algumas tradições cristãs.

Os anjos mencionados nos livros mais antigos do Antigo Testamento não são designados por nomes. De facto, já o rabi Shimon ben Lakish (230 – 270) asseverava que os nomes específicos dos anjos foram adaptados pelos judeus a partir de tradições babilónicas, depois do exílio – muitos comentadores modernos concordam com esta visão. Dos sete arcanjos do judaísmo pós-exílio, apenas três (Gabriel, Miguel e Rafael) são mencionados pelos nomes nas escrituras que gradualmente foram aceitas como canónicas. Os outros quatro, contudo, são nomeados no século II a.C. no Livro de Enoque, capítulo XXI: Uriel, Ithuriel, Amitiel e Baliel. Os mesmos que intercedem perante Deus pela Humanidade, durante o período dos Nephilim – os Vigilantes caídos. Quando aos três primeiros arcanjos referidos se referia outro, de modo a representar os quatro pontos cardeais, Uriel era, geralmente, o quarto (o Norte – bem como, quando representam os quatro elementos – toma o lugar da Terra).

Uriel é frequentemente identificado como o querubim que “permanece junto às portas do Éden com uma espada ardente” ou como o anjo que “preside à tempestade e ao terror” (no Primeiro Livro de Enoque). No Apocalipse de Pedro aparece como o Anjo do Arrependimento – e tão desprovido de piedade quanto qualquer demônio. Em Vida de Adão e Eva Uriel é representado como o espírito (um dos querubins) referido no terceiro capítulo do Génesis. É também identificado com um dos anjos que deram sepultura a Adão e a Abel no Paraíso.

Derivando das tradições místicas judaicas, Uriel tornou-se também o Anjo do Domingo, Anjo da Poesia, e um dos Sephiroth sagrados. Terá sido ele a lutar com Jacob em Peniel. É ainda descrito como o destruidor dos exércitos de Senaquerib. Ainda de acordo com o livro de Enoch, terá sido ele a anunciar a vinda do Dilúvio a Noé, bem como aquele que dirigiu Abraão a caminho da Terra Prometida. É conhecido ainda como o Anjo da Morte, tendo tido um papel importante no episódio das Dez pragas do Egipto, em que verificou quais as portas marcadas com sangue de cordeiro, para poupar tais casas da morte dos primogénitos.

Na tradição apocalíptica, é ele quem deterá a chave que abrirá o Inferno no Final dos Tempos.

Na moderna angeologia cristã – ainda que de uma forma marginal – Uriel é identificado por vezes como Serafim, Querubim, Regente do Sol, Chama da Deus, Anjo da Presença Divina, Arcanjo da Salvação, presidindo sobre o Tártaro (Inferno). Em escrituras mais recentes é, mesmo, identificado com Phanuel – a “Face de Deus”. É descrito frequentemente como trazendo consigo um livro ou rolo de papiro, simbolizando a sua sabedoria. Uriel é ainda o anjo patrono das artes e foi descrito por Milton como o “espírito de visão mais arguta de todo o Céu”.

Em obras apócrifas e cabalísticas, Uriel tem sido identificado ou confundido com Nuriel, Uryan, Jeremiel, Vretil, Sariel, Puruel, Phanuel, Jehoel e Israfel.

No ocultismo, é frequentemente associado à cor verde.

Uriel é também chamado de Auriel.

Curiosidades:

1- O nome Uriel significa a “luz de deus” ou “chama de deus.” Isto é porque Uriel traz a luz, ou a chama, do conhecimento de deus à humanidade. Seu símbolo é uma mão aberta que prende uma chama.

2- Uriel é um dos quatro principais Arcanjos das tradições cristã e judaíca. O outros são Miguel, Gabriel e Raphael.

3- Em 745 D.C. o papa Zachary interessado no aumento dos anjos que estava ocorrendo, convocou um conselho da igreja para que denunciassem todos os anjos que não foram mencionados pelo nome nas escrituras. Nesse conselho Uriel foi considerado um dos anjos mais importantes. Uriel era o anjo mais indicado a ser tratado desta maneira.

4- Durante o renascimento, o papa Clement III requisitou a remoção das imagens de Uriel das igrejas, porque pensou equivocadamente que Uriel estava conectado a uma heresia que reivindicava João Batista como Mêssias.

5- Uriel é o Arcanjo da profecia e ajuda os povos a desenvolverem suas habilidades psíquicas e intuitivas. Fornece introspecções nos campos das visões, dos sonhos, e das percepções. Em seu livro o magus (1801), Francis Barrett acredita que Uriel introduziu a Alquemia e a Kabbalah ao mundo.

6- Uriel é o Arcanjo da poesia e da música. Ajuda e incentiva os povos na creatividade.

Bibliografia:

Bamberger, Bernard Jacob, (March 15, 2006). Fallen Angels: Soldiers of Satan’s Realm. Jewish Publication Society of America. ISBN 0-8276-0797-0
Briggs, Constance Victoria, 1997. The Encyclopaedia of Angels: An A-to-Z Guide with Nearly 4,000 Entries. Plume. ISBN 0-452-27921-6.
Bunson, Matthew, (1996). Angels A to Z: A Who’s Who of the Heavenly Host. Three Rivers Press. ISBN 0-517-88537-9.
Cruz, Joan C. 1999. Angels and Devils. Tan Books & Publishers. ISBN 0-89555-638-3.
Davidson, Gustav. A Dictionary of Angels: Including the Fallen Angels. Free Press. ISBN 0-02-907052-X
Ivánka, E. von, “Gerardus Moresanus, der Erzengel Uriel und die Bogomilen”, Orientalia Christiana Periodica 211-2 (1955) (Miscellanea Georg Hofmann S.J.), pp 143-146.
Guiley, Rosemary, 1996. Encyclopaedia of Angels. ISBN 0-8160-2988-1
The Book Of Enoch translated by R. H. Charles D.LITT., D.D. with an introduction by W. O. E. OESTERLEY, D.D., Charles. H. R, 1917
Longfellow, Henry Wadsworth, 1807-1882. The Golden Legend
Heywood, Thomas, 1634-1635. The Hierarchy of the Blessed Angels
Waite, Arthur Edward, 1913. The Book of Ceremonial Magic Second Edition of The Book of Black Magic and of Pacts.



A Morte como entidade, é um conceito que está presente em várias sociedades ao longo da História. A Morte também é conhecida por Ceifador e, desde o século XV, é representada com a figura de um esqueleto que carrega uma lâmina grande e está vestido com um manto preto com capucho.
Em alguns casos, a Morte é capaz de matar a vítima, o que levou à existência de lendas de que esta pode ser enganada. Outras crenças dizem que é apenas um espectro que representa a ligação entre a alma e o corpo e que guia os falecidos até ao próximo mundo, não tendo qualquer controlo sobre a sua morte.

Em muitas línguas a Morte é personificada com forma masculina, enquanto noutras tem uma forma feminina.

Mitologia Indo-Europeia

Helénica

Na Grécia Antiga a morte era considerada inevitável, por isso a figura da Morte não é representada de forma puramente má. É representada como um homem barbudo com asas, mas também como um rapaz pequeno. A Morte, ou Tânatos, é a parceira da via, sendo a morte representada por um homem e a vida por uma mulher. É o irmão gémeo de Hipnos, o deus do sono. É tipicamente apresentado com o seu irmão e é representado como gentil e justo. A sua função é escortar os mortos até a Hades, deus do submundo. Depois, entrega os mortos a Carote (que, de acordo com alguns, é batante parecido com a interpretação ocidental moderna da Morte, uma vez que tem a forma de esqueleto e um roupão preto), que chefia os barcos que os levam pelo Rio Estige. O Rio separa a terra dos mortos da tera dos vivos. Acreditava-se que, se não se pagasse ao barqueiro, a alma não era levada para o submundo e era deixada na margem do rio para toda a eternidade. Ar irmãs de Tânatos, as Keres eram os espíritos das mortes violentas. Eram associadas ás mortes nas batalhas, por doença, acidente e assassinio. Eram retratadas como más, alimentando-se frequentemente do sangue do corpo depois de a alma ter sido levada para os Hades. Elas tinham presas e garras e vestiam-se com roupas feitas de sangue.







Germânica

Na tradição germânica, a Morte era um dos disfarces do deus viking Odin. Em inglês, o Grim de Grim Reaper, deriva de Grimnir, um dos nomes de Odin.

Celta

Para os Galeses, a Morte é Angeu e para os Bretões é Ankou. É visto por muitos como um homem com um roupão de capucho (invariavelmente preto) por vezes carrega uma foice.

Eslava

As velhas tribos eslavas viam a morte como uma mulher vestida com roupas brancas, com um broto verde na mão. Quem tocasse no broto cairia num sono eterno.

Esta imagem sobreviveu até à Idade Média, sendo apenas substituida pela imagem tradicional da Europa Ocidental de um esqueleto andante no século XV.

Báltica

Os lituanos chamavam Giltiné à Morte, palavra que deriva de "gelti" (que pica). Giltiné era representada como uma mulher velha e feia com um nariz azul grande e uma língua de veneno letal. A lenda diz que Gilinté era jovem, bonita e faladora até ser fechada num caixão durante 7 anos. A deusa da morte era irmã da deusa da vida e do destino, Laima, simbolizando a relação entre o principio e o fim.

Mais tarde, os Lituanos adoptaram a imagem clássica da Morte



Mitologia Hindú

Nas escrituras hindús, o senhor da guerra chama-se Yama, ou Yamaraj (que significa, literalmente, "o senhor da morte). Yamaraj monta um búfalo preto e carrega uma corda atada num laço para carregar a alma de volta para o seu local de residência, chamado Loka. Há várias formas de Morte, embora alguns digam que apenas uma se disfarça de criança. São os seus agentes, os Yamaduts, que levam as almas de volta para o Loka. É aí que estão guardados todos os relatórios das boas e das mãs acções das pessoas, que são armazenados e mantidos por Chitragrupta, o que permite Yamaraj decidir onde as almas vão residir na próxima vida, seguindo a teoria da reencarnação. O Yamaraj também é mencinado na Mahabharata como um grande folósofo e devoto de Brâman.

Yamaraj também é conhecido como Dharmaraj ou Rei da Darma ou justiça. Uma das razões para tal é que a justiça é servida da mesma forma para todos, estejam vivos ou mortos, com base no seu Karma ou destino. Isto é mais sublinhado pelo facto de Yudhishtra, o mais velho dos Pandavas e ser considerado a personificação da justiça, nasceu das preçes de Kunti a Yamaraj.


Judaísmo

De acordo com a Midrash, o anjo da morte foi criado por Deus no primeiro dia. A sua morada é no Céu, a prtir do qual necessita de oito vôos para atingir a Terra, enquanto que a pestilencia necessita apenas de um. Diz-se que o anjo da morte tem 12 asas e está coberto de olhos. Na hora da morte, ele permanece na cabeça daquele que está a falecer com uma espada traçada na qual pendura uma gota de galha. Assim que quem está a falecer vê o anjo, é-lhe dada uma convulsão e abre a boca, para onde o anjo derrama a gota. Esta gota provoca a sua morte; ele começa a apodrecer e sua cara torna-se amarela.

A alma escapa através da boca, ou, de acordo com algumas fontes, através da garganta, por isso é que o Anjo fica na cabeça do moribundo. Quando a alma abandona o corpo, a sua voz é projectada por todo o mundo, mas não é ouvida. A espada traçada do anjo da morte, indica que este era visto como um guerreiro que mata os filhos dos homens. " O Homem, no dia da sua morte, cai perante o anjo da morte como um animal perante o chacinador" (Grünhut, "Liḳḳuṭim", v. 102a). Em algumas representações posteriores, a espada é substituida por uma faca e também é referido um cordão, o que indica a morte por asfixiação. Moisés diz a Deus: "Temo o cordão do anjo da morte". Dos quatro métodos de execuçã judeus, 3 recebem o seu nome a partir do anjo da morte. Também é este anjo que executa os castigos que Deus ordenou pelos pecados.

O anjo da morte assuma a forma que melhor serve o seu propósito. Pode aparecer como um pedinte a implorar perdão, ou um estudioso. "Quando a pestilência se impõe na cidade, não andes pelo meio da rua, porque o anjo da morte caminha por lá; se a paz reinar na cidade, não andes pelos lados da rua. Quando a pestilência entra na cidade, não vás sozinho à Sinagoga, porque é lá que o anjo da morte guarda as suas ferramentas. Se os cães ladrarem, o anjo da morte entrou na cidade; se correrem, o profecta Elias chegou". Nas orações diárias, o "destruídor" é o anjo da morte. Midr. Ma'ase Torah diz: "Há seis anjos da morte: Gabriel, o dos Reis; Kapziel, o da juventude; Mashbir o dos animais; Mashhit, o das crianças; Af e Hermah, o dos homens e das bestas.





Toco na flauta da vida
A melodia dos sonhos quebrados
Melodia essa que me despedaça por dentro
Prostrando-me num pranto gelado

A melodia dos sonhos quebrados

São as contrariedades da vida que nos vão fazendo pessoas fortes capazes de aguentar tudo.
Tudo tem uma razão de ser, ainda que não a possamos compreender agora, ou o sofrimento nos tolde a razão.
Vamos esperar e vamos ver o que DEUS tem para te oferecer.
Beijinhos e muita Corajem.

Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.


Amizade (do latim amicus; amigo, que possivelmente se derivou de amore; amar, ainda que se diga também que a palavra provém do grego) é uma relação afetiva, a princípio sem características romântico-sexuais, entre duas pessoas. Em sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e a afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo. Neste aspecto, pode-se dizer que uma relação entre pais e filhos, entre irmãos, demais familiares, cônjuges ou namorados, pode ser também uma relação de amizade, embora não necessariamente.
A amizade pode ter como origem, um instinto de sobrevivência da espécie, com a necessidade de proteger e ser protegido por outros seres. Alguns amigos se denominam "melhores amigos". Os melhores amigos muitas vezes se conhecem mais que os próprios familiares e cônjuges, funcionando como um confidente. Para atingir esse grau de amizade, muita confiança e fidelidade são depositadas.
Muitas vezes os interesses dos amigos são parecidos e demonstram um senso de cooperação. Mas também há pessoas que não necessariamente se interessam pelo mesmo tema, mas gostam de partilhar momentos juntos, pela companhia e amizade do outro, mesmo que a atividade não seja a de sua preferência.
A amizade é uma das mais comuns relações interpessoais que a maioria dos seres humanos tem na vida. Em caso de perda da amizade, sugere-se a reconciliação e o perdão. Carl Rogers diz que a amizade "é a aceitação de cada um como realmente ele é".
Popularmente, se diz que "o cão é o melhor amigo do homem".
O Dia do Amigo é comemorado em 20 de julho.

Senso comum

A amizade comum costuma determinar, também através da sabedoria popular, aquilo que se deve esperar como sendo componente de uma amizade ideal. Embora muitas vezes na prática alguns ou muitos destes componentes não estejam presentes na relação de amizade, a título informativo, algumas destas afirmativas estarão sendo listadas abaixo:

O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Amizade.
a tendência de desejar o melhor para o outro;
simpatia e empatia;
honestidade;
lealdade;
A amizade leva a um sentimento de altruísmo e lealdade, ao ponto de colocarmos os interesses do outro à frente de seu próprio interesse. Amizade resume-se em lealdade, confiança e amor, seja fraterno ou mais profundo;
Faz parte da amizade não exacerbar os defeitos do outro e dividir os bons e maus momentos;
Os amigos evitam ser sufocantes ao outro para que haja respeito nos direitos deste. Evitam também sufocá-los com exigências, para que não haja o risco de perdê-los;
Os amigos se sentem atraídos pelos outros pela forma que eles são e não pelo que eles possuem. As verdadeiras amizades tudo suportam, tudo esperam, tudo creem e tudo perdoam pelo simples fato de existir entre eles o verdadeiro amor, também conhecido como amor philéo = amor de amigos.




BONECOS E SUAS ORIGENS
Boneca (do espanhol "muñeca") é um dos brinquedos mais antigos e mais populares em todo o mundo. Reproduz as formas humanas, predominantemente a feminina e a infantil, e muitas vezes é considerada como um brinquedo que prepara para a maternidade. As bonecas podem ser confeccionadas com diferentes materiais, acompanhando a evolução dos mesmos e as novas tecnologias.
Em muitas culturas, ela é um brinquedo associado às meninas, no entanto, existem versões de bonecos direcionados aos meninos, guardando ambos, como elemento essencial para a sua caracterização, as formas que lembram a humana, ou humanizada.
As bonecas, e suas variantes masculinas, diferenciam-se de outros tipos de bonecos que representam outras formas de vida, como animais do mundo real, do mundo da fantasia, da literatura, do cinema ou do imaginário popular.


Embora não sejam conhecidas bonecas datadas da Pré-História, provavelmente porque seriam feitas em madeira ou em couro, materiais perecíveis, na civilização babilônica conhece-se uma boneca com braços articulados feita em alabastro e também em túmulos de crianças do Antigo Egito, datáveis do período situado entre 3000 e 2000 a.C., onde foram encontradas bonecas de madeira com uma forma que se assemelha a uma espátula, possuindo uma cabeleira farta, sendo os cabelos feitos de fios de cabelo, provavelmente banhados na argila. Também se conhecem bonecas mais sofisticadas, com braços e pernas articuladas e com roupas.
Os estudiosos dividem-se quanto a que sentido atribuir à presença destes objectos nos túmulos; para alguns serviriam para que a criança brincasse com eles no mundo do Além, enquanto que outros autores argumentam que estes objectos teriam um carácter mágico, tendo sido ali colocados para trabalharem para o defunto na outra vida (uma função semelhante à das estátuas uchebti dos adultos). Na localidade de Kahun foi encontrado aquilo que se julga ser um atelier de criação de bonecas.
A prática de colocar bonecas nos túmulos das crianças também existiu na Grécia e Romas antigas. Na Grécia Antiga, fazia parte dos rituais que antecediam o casamento a entrega por parte da noiva à deusa Ártemis das suas bonecas e de outros brinquedos, simbolizando o fim da infância. Prática semelhante existia em Roma.
A criação de bonecas com objectivos comerciais estruturou-se na Alemanha do século XV, nas localidades de Nuremberga, Augsburgo e Sonneberg, onde nasceram os Dochenmacher (fabricadores de bonecas). Foi também na Alemanha que se criaram as casas de bonecas.[1]
Paris, na mesma época que na Alemanha, também se começou a afirmar como centro de fabricação de bonecas. Nesta época, elas reproduziam o aspecto das mulheres locais e os materiais empregues eram a terracota, a madeira e o alabastro.
No século XVII, apareceram na Holanda bonecas com olhos de vidro e bonecas com perucas feitas de cabelo humano.
A época de maior esplendor na fabricação de bonecas aconteceu do século XIX até o início do século XX. Naquele tempo, as bonecas eram feitas principalmente para os adultos, pois reproduziam fielmente as figuras da corte e da sociedade. As peças eram geralmente feitas de madeira, com rosto de porcelana, e vestidas com trajes de época. Como eram um produto voltado às classes mais abastadas, não tardaram a surgir roupinhas feitas por grandes costureiros e pessoas interessadas na fabricação artesanal. [2]
Em finais do século XIX, Thomas Edison criou a ideia de uma boneca falante, que seria aproveitada por vários fabricantes para criar bonecas que recitavam orações ou cantavam.
Com o advento do cinema e desenvolvimento do desenho animado, bem como com a popularização da televisão, no século XX, pessoas e personagens passaram quase que obrigatoriamente a ter seus equivalentes em forma de boneca

O último dia de vida
Naquela manhã, sentiu vontade de dormir mais um pouco. Estava cansado porque na noite anterior fora deitar muito tarde. Também não havia dormido bem.

Teve um sono agitado. Mas logo abandonou a idéia de ficar um pouco mais na cama e se levantou, pensando na montanha de coisas que precisava fazer na empresa.

Lavou o rosto e fez a barba correndo, automaticamente. Não prestou atenção no rosto cansado nem nas olheiras escuras, resultado das noites mal dormidas. Nem sequer percebeu um aglomerado de pelos teimosos que escaparam da lâmina de barbear. "A vida é uma seqüência de dias vazios que precisamos preencher", pensou enquanto jogava a roupa por cima do corpo.

Engoliu o café da manhã e saiu resmungando baixinho um "bom dia", sem convicção. Desprezou os lábios da esposa, que se ofereciam para um beijo de despedida.

Não notou que os olhos dela ainda guardavam a doçura de mulher apaixonada, mesmo depois de tantos anos de casamento. Não entendia por que ela se queixava tanto da ausência dele e vivia reivindicando mais tempo para ficarem juntos.

Ele estava conseguindo manter o elevado padrão de vida da família, não estava? Isso não bastava? Claro que não teve tempo para esquentar o carro nem sorrir quando o cachorro, alegre, abanou o rabo. Deu a partida e acelerou.

Ligou o rádio, que tocava uma canção antiga do Roberto Carlos, "detalhes tão pequenos de nós dois... "Pensou que não tinha mais tempo para curtir detalhes tão pequenos da vida.

Pegou o telefone celular e ligou para sua filha. Sorriu quando soube que o netinho havia dado os primeiros passos.

Ficou sério quando a filha lembrou-o de que há tempos ele não aparecia para ver o neto e o convidou para almoçar. Ele relutou bastante: sabia que iria gostar muito de estar com o neto, mas não podia, naquele dia, dar-se ao luxo de sair da empresa. Agradeceu o convite, mas respondeu que seria impossível. Quem sabe no próximo final de semana? Ela insistiu, disse que sentia muita saudade e que gostaria de poder estar com ele na hora do almoço. Mas ele foi irredutível: realmente, era impossível.

Chegou à empresa e mal cumprimentou as pessoas. A agenda estava totalmente lotada, e era muito importante começar logo a atender seus compromissos, pois tinha plena convicção de que pessoas de valor não desperdiçam seu tempo com conversa fiada.

No que seria sua hora do almoço, pediu para a secretária trazer um sanduíche e um refrigerante diet. O colesterol estava alto, precisava fazer um check-up, mas isso ficaria para o mês seguinte. Começou a comer enquanto lia alguns papéis que usaria na reunião da tarde.

Nem observou que tipo de lanche estava mastigando. Enquanto engolia relacionava os telefonemas que deveria dar, sentiu um pouco de tontura, a vista embaçou. Lembrou-se do médico advertindo-o, alguns dias antes, quando tivera os mesmos sintomas, de que estava na hora de fazer um check-up. Mas ele logo concluiu que era um mal-estar passageiro.

Terminado o "almoço", escovou os dentes e voltou à sua mesa. "A vida continua", pensou. Mais papéis para ler, mais decisões a tomar, mais compromissos a cumprir. Nem tudo saía como ele queria. Começou a gritar com o gerente, exigindo que este cumprisse o prometido. Afinal, ele estava sendo pressionado pela diretoria. Tinha de mostrar resultados. Será que o gerente não conseguia entender isso?

Saiu para a reunião já meio atrasado. Não esperou o elevador. Desceu as escadas pulando de dois em dois degraus.
Parecia que a garagem estava a quilômetros de distância, encravada no miolo da terra, e não no subsolo do prédio.

Entrou no carro, deu partida e, quando ia engatar a primeira marcha, sentiu de novo o mal-estar. Agora havia uma dor forte no peito. O ar começou a faltar... a dor foi aumentando... o carro desapareceu... os outros carros também... Os pilares, as paredes, a porta, a claridade da rua, as luzes do teto, tudo foi sumindo diante de seus olhos, ao mesmo tempo em que surgiam cenas de um filme que ele conhecia bem. Era como se o videocassete estivesse rodando em câmera lenta. Quadro a quadro, ele via esposa, o netinho, a filha e, uma após outra, todas as pessoas que mais
gostava.

Por que mesmo não tinha ido almoçar com a filha e o neto? O que a esposa tinha dito à porta de casa quando ele estava saindo, hoje de manhã? Por que não foi pescar com os amigos no último feriado? A dor no peito persistia, mas agora outra dor começava a perturbá-lo: a do arrependimento. Ele não conseguia distinguir qual era a mais forte, a da coronária entupida ou a de sua alma rasgando.

Escutou o barulho de alguma coisa quebrando dentro de seu coração, e de seus olhos escorreram lágrimas silenciosas.
Queria viver, queria ter mais uma chance, queria voltar para casa e beijar a esposa, abraçar a filha, brincar com o neto...
queria... queria... mas não deu tempo.

Como está sua vida ? Qual o tempo que tem dedicado às coisas pequenas , mas importantes , da vida ? E Deus , em que lugar você o coloca ? Será que ...?

Lembre-se , são poucas as pessoas que tem uma segunda e "nova oportunidade" de vida para mudar e ... Pense nisso .


A ARTE GLOBALIZADA
A super-estadunidense Pop Art, por exemplo, é literal e metaforicamente coisa do século passado – ainda se encontra nas galerias, mas não se pode dizer que é moderno. Afinal, qual a novidade nos museus? A reposta é simples: o mundo todo. A pintura, a escultura e seus derivados são tão influenciados pela geopolítica como a bolsa de valores. Isso porque a globalização implicou uma abertura dos portos, ou melhor, das portas das galerias.

Se há algumas décadas arte exótica significavam as lembrancinhas trazidas de viagens pelos mais aventureiros, hoje tem a ver com a promoção de artistas dos mais variados países. Junto ao crescimento econômico, China Rússia estão dando mais importância e mais espaço à cena artística. Nessas - e noutras - nações consideradas emergentes escolas têm sido inauguradas e talentos, recebido apoio do governo e de investidores particulares. Na América Latina, as referências são as cidades de São Paulo e Buenos Aires. Já em 2005, o New York Times dedicou uma matéria a artistas da Mongólia.



A super-estadunidense Pop Art, por exemplo, é literal e metaforicamente coisa do século passado – ainda se encontra nas galerias, mas não se pode dizer que é moderno. Afinal, qual a novidade nos museus? A reposta é simples: o mundo todo. A pintura, a escultura e seus derivados são tão influenciados pela geopolítica como a bolsa de valores. Isso porque a globalização implicou uma abertura dos portos, ou melhor, das portas das galerias.

Se há algumas décadas arte exótica significavam as lembrancinhas trazidas de viagens pelos mais aventureiros, hoje tem a ver com a promoção de artistas dos mais variados países. Junto ao crescimento econômico, China Rússia estão dando mais importância e mais espaço à cena artística. Nessas - e noutras - nações consideradas emergentes escolas têm sido inauguradas e talentos, recebido apoio do governo e de investidores particulares. Na América Latina, as referências são as cidades de São Paulo e Buenos Aires. Já em 2005, o New York Times dedicou uma matéria a artistas da Mongólia.




Uma das maiores sensações hoje é Subodh Gupta, um indiano que tem o patrocínio de François Pinault, o nome por trás da Gucci. Ainda vivendo em seu país natal, ele utiliza objetos do dia-a-dia, como leiteiras e panelas, para mostrar o contraste entre o simples e o complexo, o rural e o metropolitano. Mas suas obras não nascem apenas de aconchegantes instrumentos de cozinha. Ele aposta até em excrementos de vaca, e não apenas para chocar: em algumas vilas daquele país, os dejetos do ruminante são usados em rituais de purificação. Seu perfil pode ser lido no site da britânica BBC, e o também inglês The Guardian o chamou de Damien Hirst de Nova Déli e de Marcel Duchamp subcontinental.

O mercado de arte contemporânea está aquecido. Colecionadores chegam a abordar recém-formados e a valorização de algumas peças tem se mostrado extraordinária. Em poucos anos, o valor de uma criação pode passar de US$ 15 mil para US$ 750 mil. Contudo, não é apenas o dinheiro que está por trás de tudo isso. A arte está seguindo um caminho já trilhado pela moda, pela arquitetura e até pela culinária (lembram-se de quando as pessoas faziam cara feia para a idéia de comer peixe cru?). Hoje, com as novas tecnologias e com cada vez mais pessoas viajando, o que parecia exótico está extremamente próximo.


Aliás, "arte exótica" não é o nome de um movimento específico. Antes, representa um novo fluxo de idéias e estilos, em que não há uma nação dominante, ao menos quando se fala de criação. Há até quem não goste do termo (aliás, exótica para quem?). Bom, fica a idéia: a arte hoje está mais global do que nunca.

Despedida


E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval - uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito - depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado - sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras - com flores e cantos. O inverno - te lembras - nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra : adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

Rubem Braga
[Foto: World Photo TrekLens]


(o poeta)



Constrói-se um poema de cadeiras vazias,
de solidão, de chuva na vidraça, de folhas caindo no chão.
de Outono, de Inverno, de mãos frias e pedaços de pão,
mas esquece-se o grito seco do poeta que fica no coração.
O poeta quer mudar o mundo, perguntar, meditar fundo.
Mostrar o que vai mal, evidenciar a mentira e a verdade.
Faz do seu corpo um poema de sangue, lanças, ossos e verbo
como escultura armada no mundo. Faz mexer a multidão, iluminar o belo,
fazer rodar o relógio do sentimento, mudar a cor da ideia,
abrir o pensamento, alcançar o horizonte perdido.
Chama de irmão os outros e não desiste de
laçar o suicida, amar o desprezado, receber nos braços o fraco.

Se o sol nascesse agora quantas palavras podia o poeta agora escrever e abrir um novo mundo?


Constantino Mendes Alves
.
[Foto: Nova Zelândia - TrekLens]

FADAS E BRUXAS

Roseana Murray

Metade de mim é fada,
a outra metade é bruxa.
Uma escreve com sol,
a outra escreve com a lua.
Uma anda pelas ruas
cantarolando baixinho,
a outra caminha de noite
dando de comer à sua sombra.
Uma é séria, a outra sorrí;
uma voa, a outra é pesada.
Uma sonha dormindo,
a outra sonha acordada.

in Pêra, Uva ou Maçã, ed. Scipione, 2005
Eu não quero ser o garoto que ri mais alto
Ou o garoto que nunca quer estar sozinho
Eu não quero ser aquele chamado às 4:00 da manhã
Porque você sabe que eu sou o único no mundo que não vai estar em casa

Ahh, o sol está cegando (me cegando)
Eu me levantei novamente
Oh, eu estou me encontrando
Esta não é a forma que eu quero que minha história termine

Eu estou seguro lá em cima, nada pode me tocar
Porque eu sinto que esta festa acabou?
Nenhuma dor por dentro (interior), você é como proteção
Mas como eu me sentirei tão bem sóbrio?

Eu não quero ser o garoto que tem de preencher o silêncio
O silêncio me assusta porque ele diz a verdade
Por favor, não me diga que tivemos aquela conversa
Eu não me lembro, guarde o seu fôlego
Porque, qual é o uso (o motivo, ou, de que vai adiantar?)

Ahh, a noite está chamando
E ela sussurra para mim calmamente (docemente), você se culpa demais
Eu escuto você caindo
E eu me deixo ir, eu sou o único que deve ser culpado (que deve ouvir a culpa, se sentir culpado)

Eu estou seguro lá em cima, nada pode me tocar
Porque eu sinto que esta festa acabou?
Nenhuma dor por dentro (interior), você é como perfeição
Mas como eu me sentirei tão bem sóbrio?

Indo para baixo, para baixo, para baixo
Girando ao redor, ao redor, ao redor
Procurando por mim mesmo, sóbrio

Quando isso está bom, então está bom
Tudo está bom, até que fica mau
Até que você tente encontrar aquilo que teve uma vez
Eu me machuquei, chorei, nunca mais
Quebrado (para baixo) em agonia
Apenas tentando encontrar um amigo
Oh

Eu ja cansei de ser
Pisado por você
Sempre me ignorando e me passando para trás .
E cada vez mais
Não quero nem saber
E quando eu te encontrar
Eu so preciso te dizer :

-Então foda-se!

Depois não vem me procurar
Pois eu ja cansei de chorar
Tanto assim por você
Mas tem coisas que
Acontecem pra gente rir
Mas você ainda vai ouvir falar de mim.

Mas,
O tempo me ensinou
Você não deu valor
Sempe me disse que eu não era bom o bastante pra você
E pode até ser
Mas eu não vou mudar
Pois quando eu te encontrar
Você vai rir e eu vou gritar:

-Então foda-se!

Depois não vem me procurar
Pois eu ja cansei de chorar
Tanto assim por você
Mas tem coisas que
Acontecem pra gente rir
Mas você ainda vai ouvir falar de mim.